O preço certo do cardápio não é o custo mais uma porcentagem chutada: é preço = custo ÷ (1 − margem desejada − percentual de custos variáveis). Errar essa conta — geralmente confundindo markup com margem — é uma das causas mais comuns de lanchonete que fatura bem no mês e mesmo assim não sobra dinheiro no fim dele.
Este artigo mostra a diferença entre markup e margem, a fórmula certa, um exemplo completo de um X-burguer com a conta batendo centavo a centavo, e quando revisar os preços.
Qual a diferença entre markup e margem de lucro?
O erro clássico: pegar o custo de um prato e somar 30% "de lucro" em cima. Isso é markup — uma porcentagem sobre o custo. Só que a margem de lucro é medida sobre o preço de venda, não sobre o custo, e os dois números não são iguais.
| Cálculo | Valor |
|---|---|
| Custo do lanche | R$ 12,00 |
| Markup de 30% (custo × 1,30) | R$ 15,60 |
| Lucro em reais (15,60 − 12,00) | R$ 3,60 |
| Margem real (3,60 ÷ 15,60) | ≈ 23,1% |
Quem soma 30% de markup achando que está tendo 30% de margem está, na prática, trabalhando com uma margem real de cerca de 23%. Em volume, essa diferença de sete pontos percentuais é o motivo de muita lanchonete "vender bem" e sobrar pouco.
Qual é a fórmula certa para calcular o preço de venda?
A fórmula que dá a margem que você realmente quer é:
preço = custo ÷ (1 − margem desejada − percentual de custos variáveis)
- Custo: o custo direto do prato (ingredientes + embalagem do balcão). Se você ainda não sabe esse número com precisão, comece pela ficha técnica e CMV do prato — aqui o custo é um dado de entrada, não o assunto deste artigo.
- Percentual de custos variáveis: tudo que sai do preço de venda proporcionalmente a cada venda — taxa de cartão/maquininha, impostos sobre faturamento (Simples Nacional) e outras despesas que crescem junto com a venda.
- Margem desejada: a fatia do preço que sobra depois do custo direto e dos custos variáveis. Ela precisa cobrir o rateio dos custos fixos do negócio e o lucro real — ponto que a próxima seção detalha.

Por que a margem desejada precisa cobrir os custos fixos (exemplo completo do X-burguer)
Antes de aplicar a fórmula em um prato específico, é preciso saber quanto a margem desejada precisa ser — e isso vem do negócio como um todo, não só do prato:
| Item (mês) | Valor |
|---|---|
| Custos fixos mensais (aluguel, salário, contas) | R$ 6.000,00 |
| Lucro desejado no mês | R$ 2.400,00 |
| Faturamento total esperado no mês | R$ 24.000,00 |
| Margem desejada = (6.000 + 2.400) ÷ 24.000 | 35% |
Essa margem de 35% já contempla o rateio dos custos fixos e o lucro — não é só uma delas. Agora aplica-se essa margem ao custo de um X-burguer específico:
| Ingrediente | Custo |
|---|---|
| Pão | R$ 1,20 |
| Hambúrguer (carne, 150g) | R$ 5,50 |
| Queijo | R$ 1,30 |
| Bacon | R$ 1,80 |
| Molho especial e salada | R$ 0,70 |
| Embalagem de balcão | R$ 1,50 |
| Custo direto total | R$ 12,00 |
Com custo direto de R$ 12,00, percentual de custos variáveis de 15% (cartão ~4% + impostos ~6% + outras despesas variáveis ~5%) e margem desejada de 35%:
preço = 12,00 ÷ (1 − 0,35 − 0,15) = 12,00 ÷ 0,50 = R$ 24,00
Esse é o preço técnico. Arredondando para o preço psicológico de R$ 24,90, a divisão do preço final fica assim:
| Componente | Valor | % do preço |
|---|---|---|
| Custo direto | R$ 12,00 | ≈ 48,2% |
| Custos variáveis (15% do preço) | R$ 3,74 | ≈ 15,0% |
| Margem (custo fixo + lucro) | R$ 9,16 | ≈ 36,8% |
| Preço final | R$ 24,90 | 100% |
Arredondar de R$ 24,00 para R$ 24,90 aumentou a margem real de 35% para cerca de 36,8% — um ganho pequeno, mas real, por lanche vendido. Se o arredondamento fosse para baixo (R$ 23,90), o efeito seria o oposto: margem um pouco menor que os 35% calculados.
Preço psicológico: por que R$ 24,90 e não R$ 24,00 "redondo"
R$ 24,90 é percebido como sensivelmente mais barato que R$ 25,00, mesmo a diferença sendo de dez centavos — é o efeito do "preço quebrado" que termina em ,90 ou ,99. Isso é o último passo da precificação, aplicado depois de calcular o preço técnico pela fórmula. Usar preço psicológico sem antes calcular o preço certo é só decorar a vitrine sem saber se o número cobre a conta.
Quando revisar os preços do cardápio
- O custo de um ingrediente-chave (carne, queijo, óleo) subiu de forma relevante.
- Os custos fixos mudaram: reajuste de aluguel, novo salário, aumento de conta de luz ou gás.
- O volume de vendas caiu: o mesmo custo fixo mensal, dividido por menos vendas, aumenta o rateio por unidade.
- Já faz alguns meses desde a última revisão — o hábito de nunca revisar é tão comum quanto o de nunca calcular.
Checklist rápido de precificação
- Sei o custo direto real de cada prato (ficha técnica), não um número de cabeça?
- Sei separar markup de margem e uso a fórmula certa, não custo + porcentagem chutada?
- Minha margem desejada cobre custo fixo e lucro, não só um dos dois?
- Calculei o preço técnico antes de arredondar para o preço psicológico?
- Revisei os preços na última vez que o custo ou o volume mudou de forma relevante?
Como o Zelo PDV ajuda a manter o preço certo
A calculadora gratuita em Zelo PDV — Precificação aplica essa mesma fórmula sem precisar de planilha. Depois de definir o preço, o Zelo PDV acompanha o lucro real de cada venda no dia a dia — veja como em como calcular o lucro real da lanchonete.
O plano custa R$ 59/mês e tem 14 dias grátis, sem cartão. Veja mais em Zelo PDV para lanchonetes.
Perguntas frequentes
Qual a diferença entre markup e margem de lucro?
Markup é a porcentagem que você soma sobre o custo; margem é a porcentagem que sobra sobre o preço de venda. Somar 30% de markup a um custo de R$ 12,00 dá um preço de R$ 15,60, mas a margem real desse preço é de apenas cerca de 23%, porque o lucro é calculado sobre o preço final, não sobre o custo.
Qual é a fórmula certa para calcular o preço de venda de um prato?
Preço = custo ÷ (1 − margem desejada − percentual de custos variáveis). O custo entra em reais, a margem desejada e o percentual de custos variáveis entram como frações do preço final, não do custo.
O preço do cardápio precisa incluir os custos fixos do negócio?
Sim. Se a margem desejada cobrir só o rateio dos custos fixos (aluguel, salário, contas), o preço empata as contas, mas não sobra lucro de verdade. A margem precisa ser custo fixo mais lucro, não só custo fixo.
Por que preços de cardápio costumam terminar em ,90?
É preço psicológico: R$ 24,90 é percebido como mais barato que R$ 25,00, mesmo a diferença sendo de dez centavos. Isso vem depois de calcular o preço certo pela fórmula — nunca antes.
De quanto em quanto tempo devo revisar os preços do cardápio?
Sempre que o custo dos ingredientes subir de forma relevante, quando os custos fixos mudarem (aluguel, salário) ou quando o volume de vendas cair — porque o rateio do custo fixo por unidade aumenta quando você vende menos.
Quer colocar em prática? O Zelo PDV faz isso por você.
Testar 14 dias grátis →